I was just wondering if you’d come along – Do gosto por uma banda à criação de laços de amizade (parte II)

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Parte II – I came to you with best intentions

Foto de Rita Carmo

Foto de Rita Carmo

25 de maio de 2007, Pavilhão Atlântico, Lisboa. O grande dia, o dia D, o dia DMB. Finalmente a Dave Matthews Band tocava em Lisboa, colocando de vez um ponto final a anos de um vazio provocado por não ter a oportunidade de ver a banda ao vivo. Tinha comprado um bilhete via Warehouse – o clube de fãs oficial da banda – que dava direito a entrar uns minutos mais cedo que a abertura oficial das portas para o público em geral e, por isso, cheguei cedo. Fui com a Inês – a minha irmã – e ficamos numa fila com talvez umas duas ou três dezenas de pessoas, não mais, a maioria deles estrangeiros, que também tinham adquirido bilhetes no mesmo sítio. A esta distância não me consigo recordar exatamente a que horas as portas abriram, mas sei que aquela porta específica abriu cerca de 10 a 15 minutos antes das portas em que entrava o público geral. Entramos pelo pavilhão ainda desoladoramente vazio adentro e ocupamos o nosso lugar na primeira fila, junto ao gradeamento que separa o público do palco. As restantes portas abrem e logo entra “uma dúzia” de pessoas a correr para conseguir um bom espaço próximo do palco, para depois ir entrando algum público a conta-gotas. E é nesse momento em que novamente penso: “Pavilhão Atlântico, a sério? Isto nunca vai encher. Vai estar meia casa no máximo e vai ser um fiasco, ninguém os conhece cá em Portugal, isto devia ter sido no Campo Pequeno ou no Coliseu”. O que aconteceu na realidade já todos sabemos, 18.000 vozes a cantar, 36.000 braços a bater palmas e outras tantas pernas a dançar, três horas de cumplicidade, surpresa e admiração entre banda e público num concerto que foi memorável para todas as almas que estiveram presentes, fossem fãs, simpatizantes ou somente curiosos.

Foto de Rita Carmo

Foto de Rita Carmo

Todos aqueles receios que senti naquelas horas entre a entrada no Pavilhão e a entrada da banda em palco tinham começado cerca de dois meses e pouco antes. Como tinha contado na primeira parte deste texto, eu tinha tido a curiosidade e a vontade de encontrar outros “maluquinhos” como eu, com quem pudesse partilhar e discutir tudo aquilo que é relacionado com esta banda. E não encontrei assim tantos quanto isso. Talvez por isso, quando os primeiros acordes da Everyday foram tocados fazendo ecoar um massivo entusiasmo sob a forma de 18.000 estridentes e embargadas vozes que por pouco não provocaram danos estruturais no Pavilhão Atlântico, não pude evitar de sentir um arrepio de surpresa, admiração e contentamento. Afinal somos muitos, eu é que só tinha conseguido encontrar uns quantos.

Recuando dois meses e meio, até ao dia 12 de março de 2007, surge aquilo que foi a primeira amostra da DMB Portugal, um fórum de discussão alojado numa plataforma gratuita (ainda está disponível em http://dmbportugal.proboards.com), que tinha como objetivo, numa era ainda anterior a Facebook, Twitter e Instagram (O MySpace e o Hi5 ainda eram as redes sociais dominantes, pelo menos em Portugal), encontrar os tais dementes fãs de DMB e promover a discussão em torno do que a banda faz, conhecermo-nos um pouco melhor e aproveitar também para tentar fazer crescer a popularidade da banda. Provavelmente por não ser propriamente alguém com dotes informáticos, nem com tempo ou recursos suficientes para espalhar a palavra do fórum de modo muito profissional, construí juntamente com a Inês um ponto de encontro virtual, numa perspetiva de “build it and they will come”. Utilizamos o Hi5 e o MySpace para o divulgar, recordo-me que divulgámos também no fórum na DMBrasil, no AntsMarching.org e em mais alguns espaços onde conseguíamos encontrar pessoal que gostava da banda – que nós também frequentávamos – e com a ajuda de um blog que também tivemos afeto a DMB, conseguimos atrair algumas pessoas para a nossa “causa”. Não muitos, é um facto, mas uns quantos. Bons. Bastante bons, aliás. Não tantos quanto os 18.000, mas tão gigantes quanto a soma das suas emoções.

Naquele fórum tudo começou. Discussões sobre álbuns, sobre músicas, sobre “setlists”, sobre concertos, sobre versões específicas de dadas músicas, sobre quais os elementos preferidos de cada um de nós, sobre música em geral e sobre outros interesses genéricos. Ali partilhámos as emoções do concerto, as nossas experiências, os nossos gostos, as emoções específicas que certas músicas, letras ou melodias despertavam em nós e de que forma isso era importante nas nossas vidas. Interpretámos letras, partilhámos vídeos, áudio, combinámos encontros, criámos amizades. Alex,Diogo, Inês, Tânia, Gonçalo, Vera, Dulce, Edu, Sara, Pedro, Elsa, Paulo, Paula, Susana, Luís, André, Helena, entre outros que provável e injustamente não menciono por lapso (sou uma besta!), todos trocamos as nossas primeiras impressões naquele espaço. Todos começamos a construir os laços de amizade que hoje temos ali naquele fórum virtual, longe de imaginar que o que era na altura um espaço para trocar uns “bitaites“, se veio a transformar em algo muito maior do que um simples espaço online para troca de opiniões sobre Dave Matthews Band e sobre música.

I came to you with best intentions”, mas mesmo nas minhas melhores intenções estava longe de imaginar o que ainda estava para vir. Nem o meu eu mais otimista imaginava o que ainda estava para vir. “The best is yet to come”… na 3º parte deste texto com estórias da DMB Portugal…

Texto de: Henrique Ventura

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