Uma noite no Hammersmith

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Dia 21 de Março de 2017, o dia que estive a 20m do Dave, numa sala de espectáculos lendária, numa cidade histórica e fascinante…

Tudo começa com “Crush”

Tinha 22 anos, viajava das Azenhas no mar para o Cacém (Sintra), há 15 anos atrás. Foi quando ouvi a primeira música da Dave Matthews Band. Ainda agora, a que coloco como favorita quando tenho que escolher uma.

Foi “Crush”. Ontem não pude ouvir. Sei que quem foi dia 20 de Março, pode escutá-la junto com todos os sucessos…

Ontem foi uma noite alternativa e de prazer para o Dave e para o Tim. O som característico dos improvisos sobre as guitarras abriu um concerto intimista, com o Dave introvertido a tentar sair para fora pela guitarra.

O Hammersmith estava cheio.

Foto de Rodrigo Simas

Foto de Rodrigo Simas

Lembrei-me daquele dia em que ouvi “Crush” pela primeira vez. Porque é exactamente como o Dave canta que eu me apaixono: “Crazy, how we feel tonight”…
Pela vida, pelo meu(s) trabalho(s), pela minha família, pelos meus amigos, por um homem. Aquela musica visceral conquistou-me à primeira e para sempre me moldou. Um romântico terra-a-terra, que agenda poesia nos factos e nos coloca na boca amor cantado, vivido e vibrado em cordas de guitarra.
Aquele dia nas Azenhas tornou-se presente ontem, quando ao meu lado se sentou um garoto de 11 anos, que vibrava com a música mais do que eu (e olhem que isso é muito difícil!!).
Enquanto o Dave contava uma história, após a segunda música (Bartender <3), e diz: “I told this story yesterday!”, ao que o miúdo responde prontamente: “I know, I remember!
Eu olhei para ele com ar de espanto e perguntei: “You were here yesterday??
Yes!”, responde ele entusiástico, com o pai ao lado a sorrir…

Há 15 anos atrás, aquela criança ainda não tinha nascido, mas “Crush” já tinha nascido para ele, assim como as maravilhas que o Dave tocou ontem: “So damn lucky”, yes we were, enquanto uma lágrima de comoção e simultânea alegria me fugiu dos olhos.
O Dave não lhe fez a vontade, e não tocou “Too much”. Mas ofereceu-lhe muitos momentos de alegria. Sei que tinha 11 anos porque uma senhora de cabelo volumoso e muito simpática se sentou à sua frente tapando-lhe a visão e deixando-o frustrado. Disse-lhe: “Don’t worry, one day you will be bigger than her”, ao que ele me respondeu conformado, que só tinha nascido em 2006, ainda faltava muito tempo…

É difícil não voltar à estrada das Azenhas para Colares, sentada ao lado de alguém que pensava amar, e ouvir Crush: Crazy!
Outros homens passaram na minha vida, mas só voltei a oferecer Crush a outro homem muito recentemente, porque o Dave é precioso, e é bom que tenhamos a certeza de “Where are you going”, e saber que “Where you are, is where I belong”. E oferecer estas pérolas de música e de amor só a quem pode e consegue apreciar.

O Dave foi muito alternativo e especial ontem.

Little Thing
Bartender
Dreamgirl
Old Dirt Hill (Bring That Beat Back)
Save Me
Pretty Bird
So Damn Lucky
Grab the Horns by the Bull
Sugar Will
So Much to Say
Tripping Billies
———————————–
Death on the High Seas
Minarets
You & Me
Black and Blue Bird
Jimi Thing
Where Are You Going
Worried Man Blues
The Stone
Summer Night in December
She’s a Woman
Rapunzel
Dancing Nancies
———————————–
Oh
All Along the Watchtower
Crash into Me

Estou consumida por não poder estar nos coliseus… (se alguém desistir… por favor diga!!! Mas se puderem, não desistam) é música para o corpo e para a vida. Sincronismos de mãos entre o Dave e o Tim, mas principalmente sincronismos de “music embodied”.

Uma das melhores versões de All Along the Watchower que ouvi…
Black and Blue Bird cheio de emoção e vulnerabilidade. Passando por “She’s a woman” e avançando directo para Rapunzel.

Nenhuma das minhas favs esteve, certamente não esteve “Crush”, mas agora tenho novas favs, que me colocam naquele lugar àquela hora, com aquela criança, e a mulher do cabelo volumoso, a cantar:

“I am who I am who I am who am I
Requesting some enlightenment
Could I have been anyone other than me?”
Dancing Nancies

“Save me” Dave, de um mundo onde a tua música não exista para crianças (talvez mesmo as minhas!), que ainda não nasceram.
Queremos cantar contigo sempre e para sempre porque:

“You and me together, we can do anything!”

Guardo uma réstia de esperança de conseguir um spot, algures no Coliseu, para cantar contigo mais uma vez, porque o público português é o melhor, e creio que não acaso Portugal estar em último da lista de concertos…

Talvez possa cantar “Crush” sonoramente como cantei “Tripping Bilies” porque:

“Eat drink and be merry, cause tomorrow will die”.

Para sempre grata pela viagem onde por grande sorte (como sabem todos os fãs da DMB), aquela música fabulosa passou na rádio, num momento de excepção…

(Obrigada Radio Comercial! A número 1 na minha vida por isso!)

O homem não foi para sempre (e ainda bem), mas aquela música é para sempre, o Dave é para sempre, a DMB é para sempre…
Terminando a minha história no Hammersmith: o meu companheiro de 11 anos foi junto ao Dave, perto do palco, enquanto pulava durante “All along the watchtower” e “Crash into me” e conseguiu no final uma selfie. O Dave agarrou no smartphone do garoto e fez uma selfie com aquela criança maravilhosa cheia de energia (e bom gosto!) 😉 Totalmente merecido.

Eu regresso a Lisboa feliz por aquele momento… e esperançosa de poder, quem sabe, por milagre, voltar a sentir o som do Dave no corpo junto do melhor público do mundo!

Just because… I’m a “Dreamgirl”! 😉 E sonhar é sempre possível!

Texto de: Ana Lucas

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